14.12.10

debate sobre pobreza e exclusão social na livraria pretexto


 

 

 

 

 


Está patente na galeria da Livraria Pretexto, na Rua Formosa, em Viseu, até ao próximo dia 12, uma  exposição fotográfica: “mal olhados” (de José Crúzio, José Leitão Silva  e Rui Pêva), uma iniciativa da Zunzum – associação cultural, que também promoveu no passado dia 8, naquele espaço, uma tertúlia/ debate sobre o mesmo tema da pobreza e exclusão social.

Márcia Leite (actriz e membro  da  Zunzum, autora dos textos que acompanham as fotografias) falou da organização da exposição, e das dificuldades  em conseguir captar imagens em certos meios, sobretudo com os novos pobres, a chamada “pobreza envergonhada”.

Carlos Vieira, membro do Núcleo de Viseu da Associação Olho Vivo, realçou o papel da cultura na tomada de consciência da exclusão, das privações e dos direitos, ponto de partida para os pobres romperem com a dependência do assistencialismo e da caridade que eterniza a pobreza e nega a cidadania, exigindo o acesso aos recursos necessários à sua autonomia. Criticou a incoerência dos políticos do “arco do poder”, cujo discurso de aparência humanista (presente no debate, Hermínio Magalhães, vereador da Câmara Municipal , defendeu uma nova economia, menos baseada na especulação financeira improdutiva) não bate certo com a recusa dos seus partidos em aprovar no Parlamento a taxação da antecipação da distribuição de dividendos ou das mais valias bolsistas, no país da U.E. com maiores desigualdades sociais (pior,  só Malta) e refutou a ideia levantada no debate, de que a globalização tenha diminuído a pobreza no mundo. 

No relatório da UNICEF de 1999 confirmamos que “ nos últimos 20 anos, apesar da economia mundial ter crescido a um ritmo exponencial, o número de pessoas que vivem na pobreza absoluta aumentou para 1200 milhões. Também o estudo da ONU, “Uma Globalização Justa”, de 2004, conclui que a globalização aumenta as desigualdades entre países ricos e pobres. Consultámos no site da ONU o ponto da situação do Objectivo de Desenvolvimento do Milénio de reduzir para metade a pobreza extrema e a fome no Mundo entre 1990 e 2015:

A  ONU começa por exultar com a redução do número de pessoas que vivem abaixo do limiar de pobreza internacional de 1,25 dólares por dia (o Banco Mundial, em 2008,  ajustou este limiar que era de 1 dólar, considerando a paridade do poder de compra) de 1,8 mil milhões para 1,4 mil milhões de pessoas, entre 1990 e 2005. “Os progressos alcançados até agora são, em grande medida, uma consequência do êxito extraordinário na Ásia, sobretudo no Leste Asiático. Em 25 anos, a taxa de pobreza no Leste Asiático baixou de quase 60% para menos de 20%. As taxas de pobreza deverão baixar perto de 5%, na China, e 24%, na Índia, até 2015.

Pelo contrário, foram poucos os avanços conseguidos no domínio da redução da pobreza extrema na África Subsariana, onde a taxa de pobreza diminuiu apenas ligeiramente, de 58% para 51%, entre 1990 e 2015. A África Subsariana, a Ásia Ocidental e algumas partes da Europe Oriental e da Ásia Central figuram entre as poucas regiões que provavelmente não alcançarão a meta do ODM que consiste em reduzir a pobreza.
Segundo estimativas do Banco Mundial, os efeitos da crise económica lançarão na pobreza extrema mais 64 milhões de pessoas, em 2010, e, em 2015 e nos anos seguintes, as taxas de pobreza serão ligeiramente mais elevadas do que teriam sido se não tivesse havido a crise, sobretudo na África Subsariana e no Sudeste Asiático.

 Apesar de a percentagem de pessoas que sofrem de malnutrição e fome, no mundo inteiro, ter diminuído, desde o início da década de 90, os progressos cessaram desde 2000-2002.  Estima-se que, em 2005-2007, o último período sobre o qual se dispõe de dados[1], o número de pessoas subalimentadas no mundo se elevava a 830 milhões, o que representava um aumento de 12 milhões em relação ao período 1990-1992.”

A “globalização”, entendida como a fase do moderno desenvolvimento económico capitalista,  sob a ideologia do neoliberalismo, dos adoradores do “mercado livre” que sacrifica todas as regras, incluindo os direitos laborais, e os direitos humanos,  ao objectivo do lucro máximo, produz mais riqueza mas não a redistribui com justiça, antes faz aumentar as diferenças entre os mais ricos e os mais pobres. É o que acontece em Portugal, um dos países mais assimétricos da Europa na distribuição dos rendimentos onde os 20% mais ricos ganham 6 vezes mais do que os 20% mais pobres.


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