20.4.11

atribulações nas obras do parque aquilino ribeiro


















Orçadas em 1,5 milhões de euros, as obras de requalificação do Parque Aquilino Ribeiro começaram em Outubro de 2009, mas têm-se arrastado no tempo, devido a vicissitudes várias, para desespero dos viseenses que há ano e meio se vêem impedidos de usufruir do espaço verde mais importante de Viseu, a seguir à mata do Fontelo, que, ainda por cima, alberga o único parque infantil do centro da cidade.
           
Mal começaram, as obras foram suspensas, alegadamente por motivos do mau tempo, mas,  em Fevereiro de 2010, a Câmara Municipal de Viseu (CMV) disse que estava a aguardar visto do Tribunal de Contas desde 10 de Dezembro de 2009. Acontece que o Tribunal de Contas recusou o visto devido a imprecisões e ilegalidades, tais como a exclusão de concorrentes no concurso público, com propostas de valores mais baixos. O TC acusou ainda a CMV de não ter respondido de forma cabal aos seus pedidos de esclarecimentos. Entretanto, houve um segundo concurso, mas as obras voltaram a parar. Desta vez, a causa foi atribuída a doença do projectista, o que levou a CMV a prorrogar o prazo da conclusão da obra a pedido do empreiteiro.
           
Estamos certos de que o Parque Aquilino Ribeiro irá ficar beneficiado com o projecto de reinterpretação  de Viana Barreto que o desenhou de raiz há 56 anos. Mas, apesar da CMV ter dito à comunicação social que a conclusão das obras estava prevista para o próximo mês de Junho, o aparente atraso dos trabalhos faz-nos duvidar de que os viseenses voltarão a usufruir do parque da sua cidade durante todo o Verão.

nuclear: energia limpa de segurança (2)



Com a catástrofe de Fukushima a revelar-se mais grave a cada dia que passa, será útil reflectir sobre a defesa que, desde alguns anos, investidores pouco escrupulosos têm feito da construção em Portugal de centrais nucleares, vendendo uma imagem da energia nuclear limpa, barata e segura, enquanto única alternativa à escassez do petróleo, face a uma alegada rentabilidade escassa e insipiência técnica no campo das energias renováveis. Ora, o Japão (e antes dele, Three Miles Island nos Estados Unidos, e Tchernobil, na antiga URSS) prova que o barato sai caro.
           
O normal funcionamento de centrais eléctricas nucleares também polui o mar, mas os maiores focos individuais de elementos radioactivos produzidos pelo homem no mar são de longe as fábricas de reprocessamento de combustível nuclear de La Hague, França e de Sellafield, Reino Unido. As suas descargas resultaram numa abundante contaminação dos recursos marinhos em toda uma vasta região; os elementos radioactivos provenientes do reprocessamento podem ser encontrados em algas marinhas de locais tão distantes como a costa ocidental da Gronelândia ou ao largo da costa da Noruega, alerta a Greenpeace.

Portugal tem muitas zonas sísmicas, o que tornaria ainda mais perigoso construir uma central nuclear no nosso território. Para risco já temos a central de Almaraz, na província de Cáceres, a 307 km da fronteira portuguesa, arrefecida com água do Tejo, com licença prolongada até 2020.

nuclear: energia limpa de segurança (1)
















Os ex-trabalhadores da ENU – Empresa Nacional de Urânio, vítimas da radioactividade nas Minas da Urgeiriça, Cunha Baixa, Poço do Bispo e outras, na manifestação de 19 de Março, convocada pela CGTP, em luta ainda pelos direitos a indemnizações às famílias dos mineiros falecidos por cancros de pulmão, devido à exposição às radiações, e o efectivo cumprimento dos rastreios de saúde aos ex-trabalhadores e suas famílias, direito conquistado pela sua longa e penosa luta. 

11.3.11

manif 12 de março em viseu




A Olho Vivo vai estar no dia 12 de Março, Sábado, às 15h00 no Rossio em Viseu, na manifestação convocada pelo movimento Geração à Rasca (http://geracaoenrascada.wordpress.com/).

gerações à rasca em luta com alegria



















Marcelo Rebelo de Sousa tem razão, anda para aí um cheiro a PREC no ar. Um cheiro quente que parece trazido pelo vento Suão que vem do Norte de África. Lá, tudo parecia imutável e os ditadores sentiam-se seguros com o apoio das “democracias” ocidentais, em troca do petróleo e do policiamento do Mediterrâneo contra os migrantes africanos. Aqui, pelo nosso rectângulo, também tudo parecia controlado pelas elites corruptas repartidas pelos partidos do “arco do poder”. O “rotativismo” parecia “o fim da História”. Até que alguém gritou “O Rei vai nu!” e toda a gente viu que a nossa democracia não é mais do que um regime de partido único com duas cabeças. O grito que tanto incomodou os ouvidos sensíveis dos serventuários do regime foi a moção de censura do Bloco de Esquerda. O PSD apressou-se a garantir que estaria do lado do governo do PS. Um dos seus militantes mais destacados, Pacheco Pereira, defendeu que Passos Coelho nunca poderá derrubar Sócrates, dado que está a governar juntamente com ele.
Surgiu então, um grito ainda mais amplificado: o do movimento da Geração à Rasca que agendou manifestações no próximo Sábado, dia 12 de Março, em Lisboa, Porto e Viseu. A onda tem vindo a crescer de tal maneira nas redes sociais, que a extrema-direita tentou surfá-la, procurando lançar a confusão e direccionando o protesto contra toda a classe política e todos os partidos, o que obrigou os signatários do Manifesto da Geração à Rasca a fazer o seguinte esclarecimento:
“Reafirmamos a total independência do protesto face a qualquer estrutura ou movimento de cariz partidário, político ou ideológico. Este é um protesto: Apartidário, aberto a todos os partidos e a quem não tem preferência partidária; Laico, aberto a todas as religiões e a quem não tem religião; e Pacífico! Nunca foi enviada qualquer lista de reivindicações. O manifesto é o único documento associado ao protesto”. E é o Manifesto da Geração à Rasca que nos diz quem é que se sente identificado com este protesto: “Nós, desempregados, “quinhentoseuristas” e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, estudantes, mães, pais e filhos de Portugal.
Nós, que até agora compactuámos com esta condição, estamos aqui, hoje, para dar o nosso contributo no sentido de desencadear uma mudança qualitativa do país”.

Se a canção dos Deolinda, “Parva que sou”, incomodou muita gente (até Mariano Gago a acusou de fazer a apologia do abandono escolar), a vitória da canção “A luta é alegria” de Gel e Falâncio, incomodou muito mais. Mas o povo que votou neste hino do descontentamento nacional não foi só a geração desemprecariada, foram os pais que viram cortados os salários, os abonos de família, as reformas sociais, o poder de compra e a qualidade de vida. Todos os que preferem a alegria e o inconformismo à contrafacção ignorante e descaracterizadora de uma Europa triste de canções sem alma, afinadas pelos mercados.
Na passada segunda-feira, José Sócrates veio a Viseu apresentar a sua moção aos militantes do PS, quando um grupo de jovens da “Geração à Rasca” entrou na sala e pediu para falar. Foram expulsos e agredidos, enquanto Sócrates dizia para as câmaras de TV que estavam convidados para jantar e “É Carnaval ninguém leva a mal”. Nós, todas as gerações à rasca de Portugal, levamos a mal este “baile de Carnaval” em que PS e PSD, mascarados de “governo” e “oposição”, dançam agarradinhos, calcando toda a gente, e vamos demonstrá-lo no dia 12.

Carlos Vieira

paz, pão, habitação, saúde, educação




Andam p'raí senhores cinzentões muito apoquentados com a vaga de protestos de uma geração à rasca que transformou a desilusão em protesto vigoroso contra as políticas (e os políticos) que comprometem o seu futuro. Contra a precariedade laboral e o desmantelamento do Estado Social, os jovens pedem que não lhes tirem as conquistas de Abril, assim expressas na canção "Liberdade" de Sérgio Godinho: "paz, pão, habitação, saúde, educação".

8.3.11

Centenário do Dia Internacional da Mulher




















Os números recentemente vindos a público sobre a violência conjugal no país indicam que em 2010 foram assassinadas 43 mulheres. Em Portugal morrem mais mulheres às mãos de maridos, namorados ou ex-companheiros, do que por cancro da mama, e uma em cada três mulheres é ou foi vítima de violência doméstica, segundo Maria José Magalhães, investigadora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação do Porto.

Em Viseu, o Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência Doméstica identificou e atendeu, em 2010,  259 vítimas deste crime público, sendo que 41% relatou sofrer diariamente actos de violência física ou psicológica.

São números que mostram que a violência contra as mulheres persiste apesar dos avanços ao nível do estudo do fenómeno e das suas consequências pessoais e sociais, bem como dos avanços a nível legislativo e no apoio às vítimas.

Não nos podemos conformar nem resignar com a situação actual. A violência de género tem de ser encarada como um problema político, um problema de direitos humanos e um problema de cidadania.

não tenhas pressa para não perderes tempo

















"Não tenhas pressa para não perderes tempo", escreveu José Saramago.
Acontece que vivemos todos com demasiada pressa e não temos tempo para brincar e falar com os filhos, ir ao teatro ou ao cinema, dar um passeio a pé com os nossos pais, que deixamos abandonados na aldeia ou encafuados num urbano caixote/apartamento, ou ainda, para maior sossego das consciências, presos num qualquer concentracionário lar de idosos. Na estrada, os portugueses também andam com demasiada pressa, e, por isso, batem o recorde de acidentes, ou seja, o recorde de tempo perdido. Por vezes, perdido para sempre.

Na semana passada, o vento forte que assolou a nossa região, derrubou árvores que tombaram sobre automóveis. Mas também houve automóveis que tombaram sobre árvores. A foto de hoje mostra o acidente que no dia 17 de Fevereiro vitimou uma árvore em frente à Casa da Ribeira, junto à Igreja da Nossa Senhora da Conceição. Um BMW ultrapassou a fila de carros que circulava pela estreita estrada que atravessa a Praça de S. Mateus, onde não é permitido circular a mais de 30 km/ hora, bate de raspão num automóvel que se encontrava a fazer sinal para virar para o Largo da Nª Srª da Conceição e vai bater na árvore do outro lado da estrada, perto do abrigo de autocarros. Por sorte não colheu nenhum peão. Só morreu uma árvore. E já não foi pouco.

4.2.11

o fecho da casa da boneca: mais um prego no caixão do centro histórico.



 




















No cruzamento da Praça D. Duarte com a Rua Grão Vasco, a Casa da Boneca era mais do que um estabelecimento comercial e ficou na memória de muitos viseenses que ali iam escolher os brinquedos para oferecer pelo Natal ou no dia de aniversário dos filhos, e sobretudo na memória das crianças que enchiam a loja para receber das mãos dos proprietários, João Nascimento e a esposa  Maria Odete, bonecas e peluches que ofereciam, no Dia da Criança, aos alunos das escolas do primeiro ciclo.

Fundada há mais de 130 anos como loja de tecidos, a Casa da Boneca, assim chamada por ter uma boneca na montra, só há 28 anos é que passou a ser gerida por João Nascimento e Maria Odete Nascimento. Também a Feira de S. Mateus ficou marcada pela barraca da Casa da Boneca, onde os brinquedos faziam a alegria da pequenada. O sucesso durou até a chegada a Viseu do primeiro hipermercado de Belmiro de Azevedo que abriu três meses antes do Natal, quando a Casa da Boneca já tinha feito as encomendas para aquele época. Foi o primeiro revés. Depois a Câmara de Fernando Ruas deixou que as grandes superfícies cercassem a cidade por todos os lados, ao mesmo tempo que permitia que os empreiteiros construíssem novas urbanizações de forma pouco sustentada, descurando a reabilitação do edificado e levando ao despovoamento do centro histórico, que ficou com um terço das habitações em ruínas ou degradadas. O despovoamento do centro da cidade leva ao aumento da insegurança nas ruas e à agonia do comércio tradicional.

Hoje, o comércio de Viseu, no centro histórico, como nas restantes ruas do centro da cidade,  vive a maior crise de que há memória. As falências sucedem-se a um ritmo vertiginoso. Nalgumas artérias,  como na Avenida Capital Silva Pereira ou na Rua Direita, são os imigrantes chineses e indianos que ainda vão evitando a proliferação de lojas “entaipadas”.
Não foi só a concorrência dos hipermercados e de lojas chinesas que levaram ao encerramento da Casa da Boneca: João Nascimento já conta 83 anos e Maria Odete também já passa dos setenta. Mas, se não fosse a crise do comércio tradicional ainda se entreteriam ali por mais uns tempos.

Qualquer dia,  o comércio do centro histórico de Viseu fica reduzido a bares e a funerárias, o que atesta bem a morte do centro histórico.  Até já as farmácias estão a fugir, atrás das pessoas. A Farmácia Pinto fechou no Largo Pintor Gata, para abrir no Palácio de Gelo, o que - pasme-se! -  mereceu a satisfação do presidente da Câmara pelo alívio que isso representaria para o trânsito no centro histórico. Dentro de dias será a vez da Farmácia Medicinal fechar as portas na Rua Direita, quando estiverem concluídas as obras da nova loja no Bairro de Marzovelos. 

Depois dos deputados do PSD, do PS e do CDS terem inviabilizado uma moção do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal de Viseu, no sentido de impedir a abertura das grandes superfícies ao domingo à tarde e feriados, tendo Fernando Ruas dito, na altura, que a sua decisão dependeria da resolução da Câmara de Aveiro, resta agora, aos comerciantes de Viseu, esperar que a petição que milhares de comerciantes de Aveiro vão apresentar, através da sua associação distrital, na autarquia aveirense, possa levar esta a não licenciar o alargamento dos horários, única forma de o presidente da Câmara de Viseu decidir defender os pequenos comerciantes da sua cidade.


Contacto:

olhovivo.viseu@gmail.com