27.4.11

dia europeu da segurança rodoviária

Hoje, Dia Europeu da Segurança Rodoviária, os números de mais uma "Operação Páscoa" revelam-nos falhas na segurança e na educação rodoviárias e a preferência portuguesa em culpar sempre a chuva e o mau tempo. 

A poucos dias do lançamento mundial da Década de Acção para a Segurança Rodoviária por parte da Organização Mundial de Saúde, o atraso de Portugal em matérias de prevenção rodoviária  devem fazer-nos reflectir. 

O Dia Europeu da Segurança Rodoviária é dedicado aos Jovens Condutores, focando os temas de Álcool e Drogas ao volante.
Conduzir Alcoolizado:
  • exige maior tempo de observação para avaliar as situações de trânsito, mesmo as mais corriqueiras;
  • torna difícil, quase impossível, sair-se bem de situações inesperadas, que dependam de reaçcões rápidas e precisas;
  • leva o condutor a  fixar-se num único ponto, diminuindo a sua capacidade de desviar a atenção para outro facto relevante;
  • limita a percepção a um menor número de factos num determinado tempo. 

25.4.11

o cravo e as novas flores de abril

Na rádio ouvem-se hoje os velhos do costume (antigos presidentes da República) com o costumeiro discurso aparentemente neutro e descolorido a apelar à formação de "consensos", à "tranquilidade", para bem do "interesse nacional".

Na rua os discursos são diferentes e quase nada neutros, tingidos de vermelho vivo como cravo, querem a mudança e exigem que se acautelem os nossos interesses nacionais, as nossas conquistas sociais, e as promessas da revolução de Abril.

Hoje celebra-se a liberdade, não o consenso. Abril é celebrar o nosso dissenso: a vontade geral de um povo de entrar em desacordo com aqueles que dizem servir o país mas o esmagam. 

Por isso, neste dia de Abril e noutros que virão é necessário sair à rua e formar corpo para uma nova mudança. À pergunta sobre se os jovens ainda compreendiam o cravo vermelho na lapela, Carvalho da Silva respondia assim ao jornalista: "Sim, mas o importante seria que trouxessem novas flores! Não há mudança social sem o contributo das gerações mais novas."  

O Movimento 12 de Março, Precários Inflexíveis, FERVE e outros movimentos ligados ao protesto Geração à Rasca estiveram hoje presentes na manifestação que percorreu a Avenida da Liberdade em Lisboa. Entretanto, corre uma petição para levar à AR uma proposta de lei contra a precariedade, para saber: clicar aqui.

O feminismo está a passar por aqui


















A Rota dos Feminismos voltou a passar por Viseu, desta vez trazendo-nos as questões que envolvem o assédio sexual, num workshop (na livraria Pretexto) e debate (na ACERT) onde foram propostas formas de luta contra o assédio sexual, tanto no trabalho como no espaço público.

O assédio sexual afecta sobretudo a mulher e constitui uma forma de agressão. No local de trabalho, falseia a relação de trabalho e promove a discriminação laboral. Sendo um problema essencialmente feminino é um problema escondido onde a falta de informação por parte das vítimas resulta na impunidade, perante a justiça, dos agressores.

A UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta - propõem por isso informar as mulheres e sensibilizar a sociedade para o problema. 

Para além dos worshops e debates a UMAR e o grupo GATA - Grupo de Activismo e Transformação pela Arte - promovem acções de rua informativas e de  saudável provocação.

Próximas datas:

- Coimbra, 29 e 30 de Abril;
- Porto, 14 e 15 de Maio;
- Braga, 4 e 5 de Junho;
- entre outros locais a combinar.

20.4.11

atribulações nas obras do parque aquilino ribeiro


















Orçadas em 1,5 milhões de euros, as obras de requalificação do Parque Aquilino Ribeiro começaram em Outubro de 2009, mas têm-se arrastado no tempo, devido a vicissitudes várias, para desespero dos viseenses que há ano e meio se vêem impedidos de usufruir do espaço verde mais importante de Viseu, a seguir à mata do Fontelo, que, ainda por cima, alberga o único parque infantil do centro da cidade.
           
Mal começaram, as obras foram suspensas, alegadamente por motivos do mau tempo, mas,  em Fevereiro de 2010, a Câmara Municipal de Viseu (CMV) disse que estava a aguardar visto do Tribunal de Contas desde 10 de Dezembro de 2009. Acontece que o Tribunal de Contas recusou o visto devido a imprecisões e ilegalidades, tais como a exclusão de concorrentes no concurso público, com propostas de valores mais baixos. O TC acusou ainda a CMV de não ter respondido de forma cabal aos seus pedidos de esclarecimentos. Entretanto, houve um segundo concurso, mas as obras voltaram a parar. Desta vez, a causa foi atribuída a doença do projectista, o que levou a CMV a prorrogar o prazo da conclusão da obra a pedido do empreiteiro.
           
Estamos certos de que o Parque Aquilino Ribeiro irá ficar beneficiado com o projecto de reinterpretação  de Viana Barreto que o desenhou de raiz há 56 anos. Mas, apesar da CMV ter dito à comunicação social que a conclusão das obras estava prevista para o próximo mês de Junho, o aparente atraso dos trabalhos faz-nos duvidar de que os viseenses voltarão a usufruir do parque da sua cidade durante todo o Verão.

nuclear: energia limpa de segurança (2)



Com a catástrofe de Fukushima a revelar-se mais grave a cada dia que passa, será útil reflectir sobre a defesa que, desde alguns anos, investidores pouco escrupulosos têm feito da construção em Portugal de centrais nucleares, vendendo uma imagem da energia nuclear limpa, barata e segura, enquanto única alternativa à escassez do petróleo, face a uma alegada rentabilidade escassa e insipiência técnica no campo das energias renováveis. Ora, o Japão (e antes dele, Three Miles Island nos Estados Unidos, e Tchernobil, na antiga URSS) prova que o barato sai caro.
           
O normal funcionamento de centrais eléctricas nucleares também polui o mar, mas os maiores focos individuais de elementos radioactivos produzidos pelo homem no mar são de longe as fábricas de reprocessamento de combustível nuclear de La Hague, França e de Sellafield, Reino Unido. As suas descargas resultaram numa abundante contaminação dos recursos marinhos em toda uma vasta região; os elementos radioactivos provenientes do reprocessamento podem ser encontrados em algas marinhas de locais tão distantes como a costa ocidental da Gronelândia ou ao largo da costa da Noruega, alerta a Greenpeace.

Portugal tem muitas zonas sísmicas, o que tornaria ainda mais perigoso construir uma central nuclear no nosso território. Para risco já temos a central de Almaraz, na província de Cáceres, a 307 km da fronteira portuguesa, arrefecida com água do Tejo, com licença prolongada até 2020.

nuclear: energia limpa de segurança (1)
















Os ex-trabalhadores da ENU – Empresa Nacional de Urânio, vítimas da radioactividade nas Minas da Urgeiriça, Cunha Baixa, Poço do Bispo e outras, na manifestação de 19 de Março, convocada pela CGTP, em luta ainda pelos direitos a indemnizações às famílias dos mineiros falecidos por cancros de pulmão, devido à exposição às radiações, e o efectivo cumprimento dos rastreios de saúde aos ex-trabalhadores e suas famílias, direito conquistado pela sua longa e penosa luta. 

11.3.11

manif 12 de março em viseu




A Olho Vivo vai estar no dia 12 de Março, Sábado, às 15h00 no Rossio em Viseu, na manifestação convocada pelo movimento Geração à Rasca (http://geracaoenrascada.wordpress.com/).

gerações à rasca em luta com alegria



















Marcelo Rebelo de Sousa tem razão, anda para aí um cheiro a PREC no ar. Um cheiro quente que parece trazido pelo vento Suão que vem do Norte de África. Lá, tudo parecia imutável e os ditadores sentiam-se seguros com o apoio das “democracias” ocidentais, em troca do petróleo e do policiamento do Mediterrâneo contra os migrantes africanos. Aqui, pelo nosso rectângulo, também tudo parecia controlado pelas elites corruptas repartidas pelos partidos do “arco do poder”. O “rotativismo” parecia “o fim da História”. Até que alguém gritou “O Rei vai nu!” e toda a gente viu que a nossa democracia não é mais do que um regime de partido único com duas cabeças. O grito que tanto incomodou os ouvidos sensíveis dos serventuários do regime foi a moção de censura do Bloco de Esquerda. O PSD apressou-se a garantir que estaria do lado do governo do PS. Um dos seus militantes mais destacados, Pacheco Pereira, defendeu que Passos Coelho nunca poderá derrubar Sócrates, dado que está a governar juntamente com ele.
Surgiu então, um grito ainda mais amplificado: o do movimento da Geração à Rasca que agendou manifestações no próximo Sábado, dia 12 de Março, em Lisboa, Porto e Viseu. A onda tem vindo a crescer de tal maneira nas redes sociais, que a extrema-direita tentou surfá-la, procurando lançar a confusão e direccionando o protesto contra toda a classe política e todos os partidos, o que obrigou os signatários do Manifesto da Geração à Rasca a fazer o seguinte esclarecimento:
“Reafirmamos a total independência do protesto face a qualquer estrutura ou movimento de cariz partidário, político ou ideológico. Este é um protesto: Apartidário, aberto a todos os partidos e a quem não tem preferência partidária; Laico, aberto a todas as religiões e a quem não tem religião; e Pacífico! Nunca foi enviada qualquer lista de reivindicações. O manifesto é o único documento associado ao protesto”. E é o Manifesto da Geração à Rasca que nos diz quem é que se sente identificado com este protesto: “Nós, desempregados, “quinhentoseuristas” e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, estudantes, mães, pais e filhos de Portugal.
Nós, que até agora compactuámos com esta condição, estamos aqui, hoje, para dar o nosso contributo no sentido de desencadear uma mudança qualitativa do país”.

Se a canção dos Deolinda, “Parva que sou”, incomodou muita gente (até Mariano Gago a acusou de fazer a apologia do abandono escolar), a vitória da canção “A luta é alegria” de Gel e Falâncio, incomodou muito mais. Mas o povo que votou neste hino do descontentamento nacional não foi só a geração desemprecariada, foram os pais que viram cortados os salários, os abonos de família, as reformas sociais, o poder de compra e a qualidade de vida. Todos os que preferem a alegria e o inconformismo à contrafacção ignorante e descaracterizadora de uma Europa triste de canções sem alma, afinadas pelos mercados.
Na passada segunda-feira, José Sócrates veio a Viseu apresentar a sua moção aos militantes do PS, quando um grupo de jovens da “Geração à Rasca” entrou na sala e pediu para falar. Foram expulsos e agredidos, enquanto Sócrates dizia para as câmaras de TV que estavam convidados para jantar e “É Carnaval ninguém leva a mal”. Nós, todas as gerações à rasca de Portugal, levamos a mal este “baile de Carnaval” em que PS e PSD, mascarados de “governo” e “oposição”, dançam agarradinhos, calcando toda a gente, e vamos demonstrá-lo no dia 12.

Carlos Vieira

paz, pão, habitação, saúde, educação




Andam p'raí senhores cinzentões muito apoquentados com a vaga de protestos de uma geração à rasca que transformou a desilusão em protesto vigoroso contra as políticas (e os políticos) que comprometem o seu futuro. Contra a precariedade laboral e o desmantelamento do Estado Social, os jovens pedem que não lhes tirem as conquistas de Abril, assim expressas na canção "Liberdade" de Sérgio Godinho: "paz, pão, habitação, saúde, educação".


Contacto:

olhovivo.viseu@gmail.com