13.12.09

A SAÚDE DA TELMA TAMBÉM PASSA POR UMA CASA NOVA




A Telma tem 3 anos e sofre de uma doença incurável, fibrose quística, que afecta o aparelho digestivo e respiratório e a obriga a tomar uma bateria de comprimidos por dia e a tratamentos com bronco-dilatadores. Todos os meses, ou de dois em dois meses, tem de ir a uma consulta no Hospital Pediátrico de Coimbra, onde está a ser seguida. O pai, António Fernandes dos Anjos Pinto, de 24 anos, casado há cinco com Guida Maria Soares Dias, de 20 anos, recebe o Rendimento Social de Inserção, pelo foi obrigado a prosseguir os estudos, encontrando-se a tirar o 9º ano. Moram em Bodiosa, no Bairro da Lapa, a mais de 10 km da cidade, pelo que às vezes não tem dinheiro para meter gasolina para ir à escola. De noite não há transportes públicos. Já tem falhado a ida a Coimbra, à consulta de Telma, por falta de dinheiro. Descontando os 100 euros que paga de renda por aquele tugúrio, ficam com 350 euros. Também devia ir todos os dias ao Hospital de Viseu para Telma poder fazer fisioterapia. Tem medo que lhe tirem a menina ou que lhe cortem o RSI, por nem sempre poder ir à escola e ao hospital.


A casa, que mais parece um palheiro caiado, é pequena, só tem um quarto, onde a Telma dorme numa cama com a irmã, Bianca, de ano e meio, e os pais noutra cama. A casa é tão húmida e fria que nas noites mais geladas dormem todos na cama de casal. A instalação eléctrica não aguenta um aquecedor, nem o ferro de passar, nem a máquina de lavar. A água de poço não tem pressão para ligar o esquentador. A casa de banho é tão pequena que não tem banheira, nem pulivan, nem lá cabe um alguidar grande, tendo de tomar banho de água fria, “a la turca”. Não podem ligar a lareira minúscula porque o fumo agrava os problemas respiratórios de Telma.

Os médicos dizem que Telma devia ter um quarto só para ela. Os pais pediram uma casa de habitação social à Câmara Municipal de Viseu, já vai para cinco anos. O vereador Hermínio e a técnica da Habisolvis, “Drª Fernanda” dizem-lhes para esperar, que vão resolver... mas até hoje, nada!

Os doentes com fibrose cística, ou quística, raramente ultrapassam os trinta anos, devido a complicações respiratórias. Mas a medicina está sempre a evoluir e os pais de Telma têm esperança. Uma casa com um mínimo de condições de salubridade e de habitabilidade já ajudava.

Que tal, senhor presidente da Câmara Municipal de Viseu, uma prenda de Natal para a Telma, cumprindo assim o artigo 65º da Constituição da República, que confere às autarquias e ao Estado o dever de promover a construção de habitações económicas e sociais, de modo a responder ao direito dos portugueses a uma habitação condigna?

no Jornal Via Rápida, 10/12/09

2.12.09

OS DIREITOS (HUMANOS) DAS CRIANÇAS E DAS MULHERES




















Nos últimos dias, dois importantes segmentos dos Direitos Humanos estiveram em destaque no nosso concelho.


Os DIREITOS DAS CRIANÇAS foram assinalados através de uma exposição de desenhos, feitos por crianças de Viseu, ilustrativos dos seus direitos consagrados na Declaração dos Direitos da Criança (adaptada da Declaração Universal dos Direitos Humanos), que esteve patente na Sala de Artes do Fórum Viseu, de 12 a 22 de Novembro, e pela oferta dos livros de Paula Guimarães, “Uma Aventura na Terra dos Direitos”.

Segundo Manuela Antunes, presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Viseu que promoveu esta iniciativa, foram sinalizados no nosso concelho 260 casos de violação dos direitos da criança, sendo as mais frequentes a negligência nos cuidados de saúde básicos, de higiene, de alimentação e agressões físicas e psicológicas.

Manuela Antunes critica a falta de um centro temporário para acolher as crianças e jovens nos casos mais urgentes, quando são retiradas às famílias que as maltratam. Em muitos casos a violência pode não ser física, mas psicológica, como acontece em muitos casos de violência conjugal com os filhos a assistir às agressões e apela a que todos cumpram o seu dever de denunciar estes casos de violência doméstica que já são considerados crimes públicos.
Também a VIOLÊNCIA DE GÉNERO esteve em foco em Viseu devido ao crime cobarde de David Saldanha, 22 anos, estudante do ensino superior de Viseu, que confessou ter assassinado barbaramente a sua ex-namorada, Joana Fulgêncio, de 20 anos, aluna excelente no 1º ano do Curso de Comunicação Social.

No Domingo passado, a GNR de Mangualde foi chamada a intervir num caso de violência doméstica, em Fagilde, onde um homem de 45 anos ameaçou de morte a mulher e a filha com uma espingarda carregada.

Ontem, 25 de Novembro, foi o Dia Internacional Contra a Violência Contra as Mulheres. A UMAR, União de Mulheres Alternativa e Resposta, deu a conhecer os dados deste ano do seu Observatório de Mulheres Assassinadas. Apesar de este ano “apenas” haver 26 casos assinalados pela imprensa (em 2008, foram assassinadas 45 mulheres por maridos, companheiros ou namorados, ou ex-qualquer dessas relações afectivas), a maioria das vítimas tinha menos de 35 anos. Muitas destas mulheres foram assassinadas depois de terem posto termo à relação e, em alguns casos, depois de terem feito queixa às autoridades, o que leva Maria José Magalhães, presidente da UMAR e investigadora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto a concluir que “a sociedade não tem garantido a sua protecção” e que a génese destes crimes está na “ideia de amor cego, no sentimento de posse, na visão da mulher como propriedade do homem”.


no Jornal Via Rápida de 26.11.2009







25.11.09

"CASA DOS PAIS" LEILOADA NO ÚLTIMO DIA 16



















Artigo do último Golpe de Vista no Jornal Via Rápida:

A EP – Estradas de Portugal, SA vai vender, em leilão público a efectuar na próxima segunda feira, dia 16, pelas 14,30 horas, o prédio urbano conhecido por Casa dos Pais, situado entre a Calçada de S. Mateus e a Rua de Serpa Pinto. O prédio foi adquirido em 1927 pelo Ministério das Obras Públicas que aí instalou a Junta Autónoma de Estradas. Posteriormente o Estado alienou algumas parcelas não cobertas desta propriedade que ainda conserva uma área total de 1.779,25 m2.

Este prédio que por fora chama a atenção pela apalaçada traça setecentista tem um pátio interior magnífico, com uma escadaria dupla que conduz a arcadas e balaustradas com elegantes colunas e balaústres de granito (ver foto).

A. de Lucena e Vale, no seu livro Viseu Monumental e Artístico, com fotografias de Germano, editado em 1949 pela Câmara Municipal de Viseu, relata a curiosa história deste edifício:

Já do século XVIII é a casa à esquina da calçada de S. Mateus e Rua Serpa Pinto – a antiga Casa dos Pais.

Tem sua história, história triste e sórdida afinal, esta casa de aparente nobreza e opulência.

O Pais apareceu um dia em Viseu, a esmolar para um hospício de meninos pobres e desamparados e, dizendo-se peregrino á Terra Santa, teve artes com o seu aspecto humilde e seráficas maneiras, de juntar quantioso cabedal. E, ou porque a cobiça o vencesse em certa altura ou porque nunca fossem outros seus propósitos, feito o “ hospício”, chamou-lhe seu e instalou-se nele.

De pouco lhe serviu porque, amaldiçoado de quantos assim lidibriara, morreu pobre, e pobres e desonrados lhe acabaram os filhos e as filhas.

A casa, após sucessivas transferências, é de há poucos anos propriedade do Estado que nela tem instalada a Direcção das Estradas do Distrito.

Recomenda-se pela nobreza do seu aspecto exterior e pela decorativa e apalaçada escadaria do pátio da entrada, uma das mais grandiosas da cidade.



Acrescente-se ainda que embora a área coberta seja de 963 m2 o prédio tem ainda uma área descoberta de 816 m2 onde se incluem pátios arborizados com árvores de grande porte e um outro pátio de entrada com fontes que só deixaram de deitar água quando as obras do Centro Paroquial de S. José, na Calçada de S. Mateus, obrigaram a recorrer a explosivos para partir rocha, o que deve ter desviado o veio da água.

Funcionários das Estradas de Portugal disseram-nos que já ali funcionou uma escola e que o prédio está classificado como imóvel de interesse público ou municipal. Não pudemos confirmar esta última informação dado que a autarquia não disponibiliza estes dados no seu site. Mas não nos surpreenderia que não estivesse classificado, uma vez que tem havido um enorme desleixo na classificação do património edificado. Basta ver que há igrejas como a Igreja do Carmo que não está classificada e que a própria Igreja da Misericórdia, obra imponente do barroco, com a sua fachada apalaçada, ainda se encontra em vias de classificação.

De qualquer modo, quer-nos parecer que esta casa que vai à praça com uma base de licitação de 778 mil euros podia e devia ser adquirida pela autarquia, à semelhança do que fez recentemente com outros edifícios na Rua do Comércio, para aí instalar serviços municipais ou alugá-la para fins que não ponham em risco o seu valor arquitectónico.

16.11.09

MORADORES TORTURADOS POR RUÍDO HÁ ONZE ANOS E MEIO




















“Golpe de Vista” denuncia mais um caso de moradores em luta para que a autarquia faça cumprir a Lei do Ruído, dando-lhes a palavra:

Carta-aberta ao Sr. Presidente da autarquia de Viseu


Exmo Senhor Dr. Fernando Ruas,


Depois da sua vitória “esmagadora” (titulava um diário) nas autárquicas de 2009 para um último exercício de funções, permita-nos aqui advertir e solicitar quanto segue:


1.Na memória de alguns munícipes de Viseu – afectados desde Abril de 1998 por barulhos constantes de um supermercado urbano – os seus anteriores mandatos ficarão para sempre “assombrados” por uma gravosa falta de omissão relativa ao problema.

2.Desde há onze anos e meio que insistimos repetidamente – nós, os moradores torturados pelos ruídos da maquinaria frigorífica da loja na Rua Eng. Lino Rodrigues 9 – para que a autarquia viseense actue de acordo com as suas competências legais: até agora, infelizmente, sem resultados concretos...


3.Sr. Presidente, achamos ser tempo de chamar as coisas pelo nome! No Verão de 2008, ocorre o “trespasse” do estabelecimento comercial, mas sem nenhumas condições de isolamento – de que aliás, em devido tempo, a autarquia a que preside foi devidamente informada. Perguntamo-nos: como e porquê foi possível dar o aval de funcionamento à actual gerência do “Spar” em tais condições?!...


4.Já com o presente mercado a funcionar foram elaboradas perícias pelo Laboratório de Acústica da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto – entidade cuja idoneidade é reconhecida além fronteiras – que concluem: a) pela existência de ruídos audíveis e incomodativos no interior das habitações e b) pela falta de isolamento sonoro da placa do edifício.


5.Neste contexto – depois de aguardarmos, de novo, há mais de um ano, por uma resposta eficaz, e continuando nós moradores, submetidos à incomodidade dos ruídos particularmente gravosos no período nocturno ! – vimos solicitar aqui, publicamente, a intervenção directa do Sr. Presidente neste processo. Após quase doze (12) anos de tortura diária-e-nocturna – que se mantém”! – pedimos, desta vez em definitivo, que o assunto seja declarado “Chefsache” e colocado em mãos do Sr. Presidente da autarquia para resolução.


6.Pretendemos, com esta petição, uma intervenção do Sr. Presidente no sentido de


a) determinar uma solução imediata para fazer cessar os barulhos nocturnos, a partir dos elementos provados da sua existência perene;
b) se limite o alvará do estabelecimento em causa à observância de tal requisito;
c) se actue no imediato, sem rodeios nem apelos para um futuro sempre mais tardio (estratégia até agora seguida!), uma vez que a autarquia dispõe de elementos documentais, testemunhais e periciais mais do que suficientes para alicerçar uma tal decisão!
d) Terminamos lembrando que o actual estabelecimento labora na ilegalidade, tal situação é do conhecimento desta autarquia e nós, moradores afectados, não poderemos aceitar mais delongas nem atrasos sem consequências na aplicação da Lei.
Na expectativa de uma actuação eficaz e consequente do Sr. Presidente para breve,


Permanecemos – Atentamente:


Pelos moradores: Alberto Ferreira

   (no Jornal Via Rápida de 29/10/09)

25.10.09

“NÃO PISAR”: SALTAR!






















Gostaríamos de esclarecer que o objectivo principal de “Golpe de Vista” é chamar a atenção para situações que nos parecem incorrectas, a nós e aos nossos leitores, no sentido de serem solucionadas (e algumas já o foram), apresentando soluções para as mesmas sempre que as tenhamos. Por isso, poupamos tempo e trabalho aos senhores que sob anonimato se prestam a informar-nos sobre os meandros do funicular, avisando, desde já, que sabemos que a paragem de 20 (vinte!) minutos (não vão dizer que foram dois minutos...) que ontem, quarta-feira, 15 de Outubro, afectou os passageiros do funicular, a meio do percurso, não foi devido a qualquer objecto caído na linha, mas sim a um problema com a bateria eléctrica. Coisas que acontecem, não é?... Também, pelo preço não foram muitos a queixarem-se. Mas houve quem lamentasse não ter subido de “pernicular”, mais saudável e mais rápido.


O objectivo deste Golpe de Vista, em concreto, é chamar a atenção para alguns erros e lacunas ainda à volta do funicular. Assim, junto à Estação da Sé, não existe qualquer passadeira que permita atravessar a linha a quem percorra a Rua Silva Gaio. Claro que as pessoas passam por qualquer lado, que remédio... Mas também já lá vimos turistas com receio de atravessar, depois de verem os avisos pintados ao longo da linha: “NÃO PISAR”. Alguns, talvez com medo de levar algum choque eléctrico, saltam a linha em comprimento. Os idosos fazem pontaria para não enfiarem um pé ou a bengala nos carris ou na fresta do cabo de aço. Claro que ninguém desce a calçada ao longo de cem metros, para atravessar para o outro lado da linha, na passadeira mais próxima e voltar a subir. Até porque a redução do risco é mínima.

Aqueles que, furibundos, nos acusam de “anti-funículas”, já que estão tão por dentro de tudo o que mexe com o funicular, ocupariam melhor o seu tempo a abrir os olhos e chamar a atenção dos chefes para estas deficiências. E outras que passamos a indicar:

Há semáforos e placas de indicação turística a tapar placas toponímicas e sinais de trânsito no alto da calçada.

Continuam por colocar as barras de “plástico de alta resistência” que se descolaram em várias passadeiras.

Há mesmo uma passadeira, em frente à loja de cortinados, na Rua da Ponte de Pau que continua com a abertura original na calha do cabo de aço, no meio dos carris, o que constitui uma armadilha, tendo em conta os inúmeros acidentes que já ocorreram naquela fresta da largura de uma mão travessa.

É o que acontece quando se fazem obras à pressa com intuitos eleitoralistas.

(no Jornal Via Rápida)

9.10.09

funicuni, funicaí


Finalmente, a 25 de Setembro, depois de vários anúncios e desculpas, Fernando Ruas lá conseguiu inaugurar o seu funicular. Esperamos que corra tudo bem e que não haja mais acidentes. Já não bastavam os muitos acidentes que aconteceram antes de tomadas todas as medidas de segurança (que originaram mais obstáculos à mobilidade) , sendo os mais graves o de um homem que esteve cerca de meia hora à espera que os bombeiros lhe tirassem a perna com material de desencarceramento e o filho da Pastelaria Serra da Nave que também lá enfiou o pé e ficou quinze dias de baixa, ainda havia de ter ocorrido um acidente igualmente grave três dias antes da inauguração.


A 22 de Setembro, um dia depois de ter acabado a Feira de S. Mateus, o funicular entrou logo em manobras, apesar do bulício dos feirantes a desmontar os pavilhões. Fernando Pereira Fernandes (na foto), residente em Lisboa, estava de férias em Viseu e atravessava a linha numa zona que não estava protegida por cabos de aço, quando meteu o pé no intervalo por onde corre o cabo do funicular. Este, como estava a funcionar, queimou-lhe e cortou-lhe a perna, pelo que teve de levar vinte e um pontos (12 exteriores e 9 interiores). Entretanto, Américo Nunes, vice-presidente da Câmara e representante da autarquia na Sociedade ViseuPolis, disse à comunicação social que não sabia nada do acidente, mas que assim que a vítima lhe desse conhecimento, tomaria as devidas providências. Então, Fernando Fernandes, acompanhado por familiares, dirigiu-se à Câmara Municipal para falar com Américo Nunes. A secretária deste informou-os de que o vice-presidente da CMV não estaria toda a manhã. Eram 12h20m. Como anda com o auxílio de uma canadiana, Fernando Fernandes sentou-se um pouco para descansar num banco do Rossio, em frente à Câmara. Daí a minutos, eram 12h,55m viram com surpresa e indignação sair Américo Nunes. Sem comentários...

Na passada segunda-feira, dia 28, na viagem das 11h45m, o funicular teve de parar mais de dez minutos antes de uma das plataformas hidráulicas, para desespero de alguns passageiros. Pouco depois chegavam técnicos para resolver o problema.

No discurso de inauguração, Fernando Ruas culpou as vítimas pelos acidentes ocorridos, por não respeitarem os avisos. Na verdade, mesmo nas passadeiras, há barras de “plástico de alta resistência” coladas na calha por onde passa o cabo de aço, com o objectivo de reduzir a largura dos intervalos, que já caíram, aumentando de novo o risco de alguém, sobretudo uma criança, lá meter o pé. A menos que os avisos pintados em alguns caixotões entre os carris, que dizem “NÃO PISAR” tenham de ser cumpridos à risca e os peões devam dar um salto em comprimento sobre os carris.

(no jornal Via Rápida de 2 de Outubro, 2009)

22.9.09

BAIRRO MUNICIPAL: UM ALVO A ABATER!




O Bairro Municipal de Viseu, também conhecido por Bairro da Cadeia, tem mais de 60 anos, mas já há muitas décadas que os moradores ouvem dizer que o “é para ir abaixo”. Mas foi a partir de 2000 ou 2001 que os moradores tiveram a certeza, quando a Câmara Municipal de Viseu anunciou um projecto de demolição total do bairro para a construção de edifícios de habitação social de 3 a 4 pisos e terreno sobrante transformado em lotes para venda. Fernando Rua disse, na ocasião, que era um desperdício haver num local nobre da cidade casas só com rés-do-chão, com jardim à frente e quintal atrás. Claro que os pobres não podem esperar ter a mesma qualidade de vida dos proprietários das vivendas da Av. 25 de Abril.


Em 28.09.2001 constitui-se a Associação de Moradores do Bairro Municipal que desenvolveu esforços para impedir a demolição, argumentando com a importância histórica, cultural e social de um bairro com identidade própria de um bairro para pobres dos anos 40, defendendo a sua reabilitação.

O arqueólogo Jorge Adolfo, em 2006, na qualidade de deputado municipal, defendeu junto da CMV a classificação do Bairro como centro histórico, dada a arquitectura do Estado Novo, preservando essa memória da história da cidade. Fernando Ruas não se opôs à ideia de imediato, mas a verdade é que decidiu prosseguir com a demolição, anunciando que deixaria apenas umas quantas casas para memória histórica. Ora, o interesse arquitectónico é do conjunto do bairro e não das casas isoladamente.

Recentemente a Habisolvis, empresa municipal de habitação, levou a efeito obras de reabilitação que passaram apenas por uma pintura nas fachadas das casas e por alcatroaram a vermelho os passeios, numa obra tão à pressa (eleições à porta!) que até as árvores ficaram alcatroadas de vermelho. É o que os moradores chamam de “lavar a cara” ou “política de fachada”.

Na semana passada uma moradora foi vítima de uma acção de despejo por parte da Habisolvis, por acumular lixo em sua casa. No entanto, os vizinhos garantem que a Habisolvis quando lhe entregou a casa também lá deixou muito lixo, inclusivamente, restos de um galinheiro e de um pombal que ali deixara o inquilino anterior, com chapas podres e tábuas partidas. A senhora ainda tem a desculpa de negociar em papeis e ferro velho para sobreviver com a magra reforma, agora a Habisolvis não tem desculpa. Os seus responsáveis é que mereciam uma acção de despejo!

A Câmara tem pressionado os moradores com a demolição, até mandando destelhar casas desocupadas, o que aumenta a angústia das pessoas que hesitam fazer pequenos melhoramentos. Esta queixa apresentou a uma moradora, Maria dos Prazeres, a Fernando Ruas ao pedir-lhe para reparar o telhado, tendo o autarca prometido que substituiria caibros e telhas. Para surpresa desta senhora que já mora no bairro há 53 anos, Fernando Ruas disse-lhe que poderia colocar mosaicos “que ainda goza e torna a gozar da casa”. Então para quê as pressões psicológicas sobre os moradores, alimentando a incerteza sobre a data de demolição do bairro?

Há até moradores que se assustaram quando viram uma rotunda pintada no Largo à entrada do Bairro, como se fosse um alvo (ver foto) receando que a demolição fosse feita de surpresa, por via aérea, com algum bombardeiro.

6.9.09

OS TRAPALHONÇOS VOLTAM A ATACAR...



“Os Trapalhonços atrapalham tudo o que houver,
esfrangalham tudo dê lá por onde der.
(...)
Os Trapalhonços disparatam, mas sem malandrice,
Aquilo é mais caso de grande azelhice.”
(...)

“Os Trapalhonços”, canção infantil de José Barata Moura

No último Golpe de Vista falámos das trapalhadas do funicular e dos disparates em catadupa na tentativa de o inaugurar pelo presidente da República aquando da abertura da Feira de S. Mateus. Gorado este objectivo por manifesto débito de segurança , depois de várias pessoas terem sofrido acidentes ao enfiar os pés nos intervalos dos carris,
eis que o presidente da Câmara Municipal de Viseu vem anunciar a sua inauguração no dia 6 de Setembro.
Na verdade, as trapalhadas ainda não terminaram. Parece até que foi lançado um concurso de ideias...trapalhonças.
Primeiro taparam as linhas com chapas; depois, como se esqueceram de deixar juntas de dilatação, quando o sol aquece as chapas estas arqueiam com a dilatação, constituindo um novo perigo para os transeuntes. Mais tarde começaram a colocar chapas mais pequenas, só para cobrir o canal do cabo de aço que ajuda a locomover as carruagens. Ainda mais recentemente adoptaram um outro sistema inovador: tubos de pvc rígido a cobrir a tal ranhura, fixados com abraçadeiras de ferro soldadas.
Mas o que mais revoltou alguns moradores e comerciantes foi o corte do passeio na Rua Ponte de Pau, desde a Casa de Pasto Pinto até ao cruzamento com a Rua D. José da Cruz Moreira Pinto, alargada há pouco tempo, com a destruição de duas ou três árvores jovens, com o intuito aparente de facilitar a passagem ascendente de automóveis, sem ter que invadir o espaço dos carris. Na imagem pode ver-se o que foi retirado ao passeio.
Quanto às medidas de segurança anunciadas há quinze dias por Fernando Ruas, que passavam por cercar os carris com cabos de aço, colocar baias de ferro à frente das casas, meter barras de plástico de “alta resistência” para reduzir os intervalos entre os carris, nos espaços das passadeiras, só falta o último, o zelador (um funcionário que vai andar para de um lado para o outro, ao longo da linha, para alertar os transeuntes para os cuidados a ter). Será certamente um trabalho de alto risco. Contudo, as barras de plástico de “alta resistência” já se descolaram. Será que a cola é de baixa resistência?...
Já há quem aposte em como o funicular não inaugurará no dia 6. Por nós fazemos força para que Fernando Ruas tenha o prazer de inaugurar o seu funicular antes da Feira de S. Mateus terminar. Com os acidentes que têm ocorrido em algumas feiras do país com carrosséis e outros equipamentos de diversão, viajar no funicular através da feira, sobretudo nos dias ou noites de maior movimento, como no “Domingo Franco”, será uma alternativa radical para aumentar a adrenalina, deixando o risco maior para quem andar a pé.

3.9.09

I Conferência Ibérica das zonas Uraníferas




No próximo dia 5 de Setembro, em Mangualde (biblioteca municipal), realizar-se-á uma conferência organizada pela associação ambientalista AZU sobre os potenciais perigos do urânio. (clicar na imagem para ver o programa)

Contacto:

olhovivo.viseu@gmail.com