20.4.11

nuclear: energia limpa de segurança (2)



Com a catástrofe de Fukushima a revelar-se mais grave a cada dia que passa, será útil reflectir sobre a defesa que, desde alguns anos, investidores pouco escrupulosos têm feito da construção em Portugal de centrais nucleares, vendendo uma imagem da energia nuclear limpa, barata e segura, enquanto única alternativa à escassez do petróleo, face a uma alegada rentabilidade escassa e insipiência técnica no campo das energias renováveis. Ora, o Japão (e antes dele, Three Miles Island nos Estados Unidos, e Tchernobil, na antiga URSS) prova que o barato sai caro.
           
O normal funcionamento de centrais eléctricas nucleares também polui o mar, mas os maiores focos individuais de elementos radioactivos produzidos pelo homem no mar são de longe as fábricas de reprocessamento de combustível nuclear de La Hague, França e de Sellafield, Reino Unido. As suas descargas resultaram numa abundante contaminação dos recursos marinhos em toda uma vasta região; os elementos radioactivos provenientes do reprocessamento podem ser encontrados em algas marinhas de locais tão distantes como a costa ocidental da Gronelândia ou ao largo da costa da Noruega, alerta a Greenpeace.

Portugal tem muitas zonas sísmicas, o que tornaria ainda mais perigoso construir uma central nuclear no nosso território. Para risco já temos a central de Almaraz, na província de Cáceres, a 307 km da fronteira portuguesa, arrefecida com água do Tejo, com licença prolongada até 2020.

nuclear: energia limpa de segurança (1)
















Os ex-trabalhadores da ENU – Empresa Nacional de Urânio, vítimas da radioactividade nas Minas da Urgeiriça, Cunha Baixa, Poço do Bispo e outras, na manifestação de 19 de Março, convocada pela CGTP, em luta ainda pelos direitos a indemnizações às famílias dos mineiros falecidos por cancros de pulmão, devido à exposição às radiações, e o efectivo cumprimento dos rastreios de saúde aos ex-trabalhadores e suas famílias, direito conquistado pela sua longa e penosa luta. 

11.3.11

manif 12 de março em viseu




Olho Vivo vai estar no dia 12 de Março, Sábado, às 15h00 no Rossio em Viseu, na manifestação convocada pelo movimento Geração à Rasca (http://geracaoenrascada.wordpress.com/).

gerações à rasca em luta com alegria



















Marcelo Rebelo de Sousa tem razão, anda para aí um cheiro a PREC no ar. Um cheiro quente que parece trazido pelo vento Suão que vem do Norte de África. Lá, tudo parecia imutável e os ditadores sentiam-se seguros com o apoio das “democracias” ocidentais, em troca do petróleo e do policiamento do Mediterrâneo contra os migrantes africanos. Aqui, pelo nosso rectângulo, também tudo parecia controlado pelas elites corruptas repartidas pelos partidos do “arco do poder”. O “rotativismo” parecia “o fim da História”. Até que alguém gritou “O Rei vai nu!” e toda a gente viu que a nossa democracia não é mais do que um regime de partido único com duas cabeças. O grito que tanto incomodou os ouvidos sensíveis dos serventuários do regime foi a moção de censura do Bloco de Esquerda. O PSD apressou-se a garantir que estaria do lado do governo do PS. Um dos seus militantes mais destacados, Pacheco Pereira, defendeu que Passos Coelho nunca poderá derrubar Sócrates, dado que está a governar juntamente com ele.
Surgiu então, um grito ainda mais amplificado: o do movimento da Geração à Rasca que agendou manifestações no próximo Sábado, dia 12 de Março, em Lisboa, Porto e Viseu. A onda tem vindo a crescer de tal maneira nas redes sociais, que a extrema-direita tentou surfá-la, procurando lançar a confusão e direccionando o protesto contra toda a classe política e todos os partidos, o que obrigou os signatários do Manifesto da Geração à Rasca a fazer o seguinte esclarecimento:
“Reafirmamos a total independência do protesto face a qualquer estrutura ou movimento de cariz partidário, político ou ideológico. Este é um protesto: Apartidário, aberto a todos os partidos e a quem não tem preferência partidária; Laico, aberto a todas as religiões e a quem não tem religião; e Pacífico! Nunca foi enviada qualquer lista de reivindicações. O manifesto é o único documento associado ao protesto”. E é o Manifesto da Geração à Rasca que nos diz quem é que se sente identificado com este protesto: “Nós, desempregados, “quinhentoseuristas” e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, estudantes, mães, pais e filhos de Portugal.
Nós, que até agora compactuámos com esta condição, estamos aqui, hoje, para dar o nosso contributo no sentido de desencadear uma mudança qualitativa do país”.

Se a canção dos Deolinda, “Parva que sou”, incomodou muita gente (até Mariano Gago a acusou de fazer a apologia do abandono escolar), a vitória da canção “A luta é alegria” de Gel e Falâncio, incomodou muito mais. Mas o povo que votou neste hino do descontentamento nacional não foi só a geração desemprecariada, foram os pais que viram cortados os salários, os abonos de família, as reformas sociais, o poder de compra e a qualidade de vida. Todos os que preferem a alegria e o inconformismo à contrafacção ignorante e descaracterizadora de uma Europa triste de canções sem alma, afinadas pelos mercados.
Na passada segunda-feira, José Sócrates veio a Viseu apresentar a sua moção aos militantes do PS, quando um grupo de jovens da “Geração à Rasca” entrou na sala e pediu para falar. Foram expulsos e agredidos, enquanto Sócrates dizia para as câmaras de TV que estavam convidados para jantar e “É Carnaval ninguém leva a mal”. Nós, todas as gerações à rasca de Portugal, levamos a mal este “baile de Carnaval” em que PS e PSD, mascarados de “governo” e “oposição”, dançam agarradinhos, calcando toda a gente, e vamos demonstrá-lo no dia 12.

Carlos Vieira

paz, pão, habitação, saúde, educação




Andam p'raí senhores cinzentões muito apoquentados com a vaga de protestos de uma geração à rasca que transformou a desilusão em protesto vigoroso contra as políticas (e os políticos) que comprometem o seu futuro. Contra a precariedade laboral e o desmantelamento do Estado Social, os jovens pedem que não lhes tirem as conquistas de Abril, assim expressas na canção "Liberdade" de Sérgio Godinho: "paz, pão, habitação, saúde, educação".

8.3.11

Centenário do Dia Internacional da Mulher




















Os números recentemente vindos a público sobre a violência conjugal no país indicam que em 2010 foram assassinadas 43 mulheres. Em Portugal morrem mais mulheres às mãos de maridos, namorados ou ex-companheiros, do que por cancro da mama, e uma em cada três mulheres é ou foi vítima de violência doméstica, segundo Maria José Magalhães, investigadora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação do Porto.

Em Viseu, o Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência Doméstica identificou e atendeu, em 2010,  259 vítimas deste crime público, sendo que 41% relatou sofrer diariamente actos de violência física ou psicológica.

São números que mostram que a violência contra as mulheres persiste apesar dos avanços ao nível do estudo do fenómeno e das suas consequências pessoais e sociais, bem como dos avanços a nível legislativo e no apoio às vítimas.

Não nos podemos conformar nem resignar com a situação actual. A violência de género tem de ser encarada como um problema político, um problema de direitos humanos e um problema de cidadania.

não tenhas pressa para não perderes tempo

















"Não tenhas pressa para não perderes tempo", escreveu José Saramago.
Acontece que vivemos todos com demasiada pressa e não temos tempo para brincar e falar com os filhos, ir ao teatro ou ao cinema, dar um passeio a pé com os nossos pais, que deixamos abandonados na aldeia ou encafuados num urbano caixote/apartamento, ou ainda, para maior sossego das consciências, presos num qualquer concentracionário lar de idosos. Na estrada, os portugueses também andam com demasiada pressa, e, por isso, batem o recorde de acidentes, ou seja, o recorde de tempo perdido. Por vezes, perdido para sempre.

Na semana passada, o vento forte que assolou a nossa região, derrubou árvores que tombaram sobre automóveis. Mas também houve automóveis que tombaram sobre árvores. A foto de hoje mostra o acidente que no dia 17 de Fevereiro vitimou uma árvore em frente à Casa da Ribeira, junto à Igreja da Nossa Senhora da Conceição. Um BMW ultrapassou a fila de carros que circulava pela estreita estrada que atravessa a Praça de S. Mateus, onde não é permitido circular a mais de 30 km/ hora, bate de raspão num automóvel que se encontrava a fazer sinal para virar para o Largo da Nª Srª da Conceição e vai bater na árvore do outro lado da estrada, perto do abrigo de autocarros. Por sorte não colheu nenhum peão. Só morreu uma árvore. E já não foi pouco.

4.2.11

o fecho da casa da boneca: mais um prego no caixão do centro histórico.



 




















No cruzamento da Praça D. Duarte com a Rua Grão Vasco, a Casa da Boneca era mais do que um estabelecimento comercial e ficou na memória de muitos viseenses que ali iam escolher os brinquedos para oferecer pelo Natal ou no dia de aniversário dos filhos, e sobretudo na memória das crianças que enchiam a loja para receber das mãos dos proprietários, João Nascimento e a esposa  Maria Odete, bonecas e peluches que ofereciam, no Dia da Criança, aos alunos das escolas do primeiro ciclo.

Fundada há mais de 130 anos como loja de tecidos, a Casa da Boneca, assim chamada por ter uma boneca na montra, só há 28 anos é que passou a ser gerida por João Nascimento e Maria Odete Nascimento. Também a Feira de S. Mateus ficou marcada pela barraca da Casa da Boneca, onde os brinquedos faziam a alegria da pequenada. O sucesso durou até a chegada a Viseu do primeiro hipermercado de Belmiro de Azevedo que abriu três meses antes do Natal, quando a Casa da Boneca já tinha feito as encomendas para aquele época. Foi o primeiro revés. Depois a Câmara de Fernando Ruas deixou que as grandes superfícies cercassem a cidade por todos os lados, ao mesmo tempo que permitia que os empreiteiros construíssem novas urbanizações de forma pouco sustentada, descurando a reabilitação do edificado e levando ao despovoamento do centro histórico, que ficou com um terço das habitações em ruínas ou degradadas. O despovoamento do centro da cidade leva ao aumento da insegurança nas ruas e à agonia do comércio tradicional.

Hoje, o comércio de Viseu, no centro histórico, como nas restantes ruas do centro da cidade,  vive a maior crise de que há memória. As falências sucedem-se a um ritmo vertiginoso. Nalgumas artérias,  como na Avenida Capital Silva Pereira ou na Rua Direita, são os imigrantes chineses e indianos que ainda vão evitando a proliferação de lojas “entaipadas”.
Não foi só a concorrência dos hipermercados e de lojas chinesas que levaram ao encerramento da Casa da Boneca: João Nascimento já conta 83 anos e Maria Odete também já passa dos setenta. Mas, se não fosse a crise do comércio tradicional ainda se entreteriam ali por mais uns tempos.

Qualquer dia,  o comércio do centro histórico de Viseu fica reduzido a bares e a funerárias, o que atesta bem a morte do centro histórico.  Até já as farmácias estão a fugir, atrás das pessoas. A Farmácia Pinto fechou no Largo Pintor Gata, para abrir no Palácio de Gelo, o que - pasme-se! -  mereceu a satisfação do presidente da Câmara pelo alívio que isso representaria para o trânsito no centro histórico. Dentro de dias será a vez da Farmácia Medicinal fechar as portas na Rua Direita, quando estiverem concluídas as obras da nova loja no Bairro de Marzovelos. 

Depois dos deputados do PSD, do PS e do CDS terem inviabilizado uma moção do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal de Viseu, no sentido de impedir a abertura das grandes superfícies ao domingo à tarde e feriados, tendo Fernando Ruas dito, na altura, que a sua decisão dependeria da resolução da Câmara de Aveiro, resta agora, aos comerciantes de Viseu, esperar que a petição que milhares de comerciantes de Aveiro vão apresentar, através da sua associação distrital, na autarquia aveirense, possa levar esta a não licenciar o alargamento dos horários, única forma de o presidente da Câmara de Viseu decidir defender os pequenos comerciantes da sua cidade.

14.1.11

solidariedade com mais um sem abrigo em viseu
























Luciano Jacinto é um jovem de 34 anos que  trabalhava na hotelaria em Tavira, até ficar sem emprego.  Sem contrato, não teve direito a subsídio de desemprego. Saiu do Algarve e veio por aí acima à procura de trabalho. Não o encontrou em Beja, onde tinha família, nem em Leiria e, desde fins de Setembro, veio parar a Viseu. Desde então tem sobrevivido arrumando carros em frente ao Palácio de Gelo, come no restaurante social da Misericórdia de Viseu e tem dormido na rua, abrigado numa das entradas do Pavilhão Multiusos. Foi lá que o encontrámos há dias. Oferecemo-nos para o acompanhar ao Centro de Acolhimento Temporário da Caritas Paroquial de Santa Maria, mas disse que já lá tinha ido e responderam-lhe que tinham os (sete) quartos todos ocupados. Nada que nos surpreendesse uma vez que já em Novembro de 2008 batemos à porta daquele Centro co-financiado pela Segurança Social e pela U.E.,  para acolher um outro sem abrigo, e também na altura se limitaram a informar que tinham a lotação esgotada. Ligámos ao 144, número nacional de emergência social, do Instituto de Solidariedade e Segurança Social, que nos remeteu para a Segurança Social de Viseu. Mas Luciano recusou-se a lá voltar, porque das duas vezes que lá foi pedir apoio, responderam-lhe que não tinham verbas nem para alojamento, nem para o transporte de regresso a casa. Solidariedade só dos Bombeiros Voluntários que o deixavam tomar banho no quartel.
   
Recorremos então à Comunicação Social.  A Caritas Diocesana não gostou que  um jornal a confundisse com a Caritas Paroquial de Santa Maria e uma senhora ofereceu roupa do marido. Mas Luciano continuava a dormir ao relento. Telefonámos para a Unidade de Desenvolvimento Social da Segurança Social de Viseu. Não conseguimos falar com a Directora, nem com outra dirigente, só com uma estagiária que nos pediu o contacto telefónico e assegurou que a “doutora” fulana nos ligaria logo que regressasse. Passaram dois dias e o telemóvel não tocou, mas, entretanto,  conseguimos arranjar um quarto com uma renda barata que Luciano pode suportar já que até arranjou um part-time, aos fins-de-semana, como disc jockey numa danceteria. O problema eram os cem euros da primeira renda que tinham que ser pagos adiantadamente, mas aí Luciano contou com a solidariedade da Conferência de S. Vicente de Paulo, associação católica sócio-caritativa.
 Aproveitamos para avisar a Segurança Social  de Viseu que já não vale a pena incomodarem-se a telefonar. Ah, é verdade: Luciano diz que tem descontado para a Segurança Social desde os 16 anos.          

Contacto:

olhovivo.viseu@gmail.com